A promoção da saúde bucal na primeira infância deve começar antes mesmo de a doença estar presente. A integrante da Câmara Técnica de Odontopediatria do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Dra. Karla Mayra Rezende, explica que a escovação deve ser iniciada com a erupção do primeiro dente, fase que costuma começar por volta de 6 a 8 meses. A profissional esclarece que a fase coincide também com a introdução de alimentos mais duros e diversificados. A partir desse momento, existe uma superfície dentária suscetível ao desenvolvimento de biofilme e à ocorrência de cárie dentária, tornando necessária sua desorganização mecânica regular. A erupção dos dentes decíduos é um processo fisiológico e pode ser acompanhada por manifestações locais e comportamentais leves.
“Recomenda-se que a higiene bucal seja realizada pelo responsável, idealmente duas vezes ao dia, sendo a escovação noturna especialmente importante. O uso regular de dentifrícios fluoretados é uma das medidas de maior impacto na prevenção da cárie”, recomenda a cirurgiã-dentista.
Como usar
A especialista esclarece que, para bebês e crianças pequenas que ainda não conseguem cuspir adequadamente, deve-se utilizar apenas uma quantidade muito pequena, equivalente a um grão de arroz cru. Já a partir dos três anos, de maneira geral, pode-se utilizar quantidade aproximada ao tamanho de uma ervilha, sempre com supervisão de um adulto.
Como deve ser a escova
Segundo a profissional, a escova deve ser apropriada ao tamanho da boca e da arcada da criança. Para bebês e crianças pequenas, devem ser priorizadas: cabeça pequena, proporcional à cavidade bucal; cerdas macias; pontas arredondadas; cabo que permita empunhadura segura pelo adulto.
“O ideal é selecionar uma escova de cabeça pequena o suficiente para alcançar confortavelmente todas as superfícies dentárias, sem provocar trauma ou desconforto. As dedeiras de silicone podem ter utilidade para massagem gengival ou adaptação inicial da criança ao contato na boca, mas não devem substituir a escova dental convencional após a erupção dos dentes, pois a escova apresenta características mais adequadas para a desorganização do biofilme das superfícies dentárias”, defende a cirurgiã-dentista.
Limpeza da boca do bebê
A integrante da Câmara Técnica de Odontopediatria do CROSP aborda que, durante muito tempo, recomendou-se rotineiramente que pais e responsáveis realizassem a limpeza diária da gengiva, língua e mucosas dos bebês desdentados utilizando gaze ou fralda umedecida. Atualmente, entretanto, não existem evidências consistentes demonstrando que a limpeza rotineira da cavidade bucal do bebê saudável antes da erupção dentária seja necessária para prevenir doenças bucais ou deixar a cavidade bucal asséptica. Isso porque a cavidade oral do recém-nascido não é um ambiente estéril. Desde os primeiros dias de vida ocorre o estabelecimento progressivo de uma microbiota oral própria, influenciada por fatores como condições maternas, tipo de parto, alimentação, aleitamento e exposições ambientais.
Família como exemplo
“A formação do hábito de higiene bucal não acontece apenas por meio de orientações verbais. O bebê e a criança pequena aprendem principalmente pela repetição, pela observação e pela participação nas rotinas familiares. Quando a criança observa diariamente seus pais e cuidadores escovando os dentes, percebe que aquela atividade faz parte da vida cotidiana”, comenta a cirurgiã-dentista.

