Neste sábado, 1º de agosto, é comemorado o Dia Mundial da Amamentação. A data é importante para a conscientização sobre os benefícios do aleitamento materno. A cirurgiã-dentista, Dra. Rose Chiaradia, membro da Câmara Técnica de Odontopediatria do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), explica que a amamentação é um dos maiores estímulos fisiológicos para o desenvolvimento do sistema estomatognático.
“Durante a sucção no seio materno, o bebê realiza movimentos coordenados da língua, dos lábios, da mandíbula e da musculatura facial, oferecendo estímulos funcionais importantes para o crescimento e desenvolvimento dos maxilares e para o equilíbrio das funções orais”
, diz a profissional.
Ausência ou interrupção da amamentação
Dra. Rose esclarece que a ausência ou a interrupção precoce da amamentação pode estar associada a maior prevalência de alterações no desenvolvimento craniofacial, como mordida aberta anterior, mordida cruzada posterior e outras más oclusões. Parte dessa associação pode ser mediada pela introdução precoce ou manutenção de hábitos de sucção não nutritiva, como o uso prolongado de chupetas, mamadeiras e a sucção digital.
“É importante destacar que as más oclusões possuem origem multifatorial. A amamentação representa um importante fator de proteção, mas fatores genéticos, respiratórios, funcionais e ambientais também influenciam o desenvolvimento da oclusão”, alerta a cirurgiã-dentista.
Amamentação e alteração na mordida
A profissional afirma que a sucção no seio envolve uma atividade muscular fisiológica que oferece estímulos funcionais importantes ao crescimento e ao desenvolvimento dos maxilares. Além disso, a mesma acrescenta que as evidências científicas demonstram que crianças amamentadas por períodos mais prolongados apresentam menor prevalência de algumas más oclusões, especialmente mordida aberta anterior e mordida cruzada posterior. Esse possível efeito protetor também pode estar relacionado à menor frequência e duração dos hábitos de sucção não nutritiva.
Cuidados e orientações
A integrante da Câmara Técnica de Odontopediatria do CROSP informa que o cuidado com a saúde bucal começa no pré-natal, por meio da educação da gestante e da família. Durante a amamentação, recomenda-se o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade, e a partir dessa fase, a introdução da alimentação complementar saudável, mantendo-se a amamentação até os dois anos ou mais, conforme orientam a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde.
“Nesse contexto, o cirurgião-dentista, especialmente o odontopediatra, desempenha papel fundamental desde a gestação, orientando preventivamente as famílias, identificando fatores que possam interferir na amamentação e contribuindo para um desenvolvimento orofacial saudável. Essa atuação integrada favorece não apenas o sucesso da amamentação, mas também a promoção da saúde bucal e da saúde geral da criança. Amamentar é um investimento em saúde para toda a vida. Além de nutrir e fortalecer o vínculo entre mãe e bebê, o aleitamento materno favorece o desenvolvimento adequado da face, da respiração, da mastigação e da fala”, finaliza a cirurgiã-dentista.

