Odontologia tem papel estratégico na identificação precoce da Mpox
Lesões na boca podem ser uma das manifestações clínicas da Mpox e, em alguns casos, representar um dos primeiros sinais da infecção. Por isso, o cirurgião-dentista desempenha papel importante na identificação precoce da doença, na orientação dos pacientes e na adoção de medidas que contribuem para interromper a cadeia de transmissão.
Segundo dados do Ministério da Saúde, até março de 2026 foram registrados 140 casos de Mpox no Brasil. De acordo com o membro da Câmara Técnica de Estomatologia do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Dr. José Narciso Rosa Assunção Junior, a Mpox é uma doença infecciosa causada pelo vírus mpox (MPXV). Inicialmente considerada uma zoonose, atualmente a transmissão entre pessoas é a principal forma de disseminação da doença.
“O quadro clínico costuma incluir febre, aumento dos linfonodos, mal-estar e lesões na pele e nas mucosas, inclusive na cavidade oral”, explica o especialista.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com lesões de pele ou mucosas de pessoas infectadas, além da exposição a fluidos corporais e secreções respiratórias durante contato próximo e prolongado.
“A transmissão também pode ocorrer por meio de objetos contaminados, como roupas, toalhas e roupas de cama, além da transmissão da gestante para o feto. Qualquer contato físico direto com lesões infectadas, por mínimo que seja, pode representar risco de infecção”, esclarece o Dr. Narciso.
Prevenção
Entre as principais medidas preventivas estão evitar contato direto com pessoas que apresentem lesões suspeitas, higienizar frequentemente as mãos, não compartilhar objetos de uso pessoal e utilizar equipamentos de proteção individual (EPIs) quando houver risco de exposição.
“Na maioria das pessoas, a Mpox apresenta evolução autolimitada, ou seja, se resolve espontaneamente em poucas semanas. Porém, em indivíduos com imunidade baixa, gestantes, crianças e pessoas com doenças crônicas, a doença pode desenvolver formas mais graves, como infecções secundárias, comprometimento ocular, pneumonia e desidratação”, orienta o membro da Câmara Técnica de Estomatologia do CROSP.
O impacto da Mpox na saúde bucal
Segundo o especialista, o cirurgião-dentista pode ser um dos primeiros profissionais de saúde a identificar manifestações da doença na cavidade oral, contribuindo para o diagnóstico precoce, o encaminhamento adequado do paciente e a redução da transmissão.
As lesões podem se manifestar como feridas, úlceras, bolhas ou vesículas com pus nos lábios, bochechas, gengivas, língua e garganta. Além do desconforto local, essas alterações podem causar dor, dificuldade para engolir, prejuízos na alimentação, na comunicação e na higiene bucal.
“O cirurgião-dentista deve manter rigorosamente as medidas de biossegurança durante o atendimento, utilizando os equipamentos de proteção individual adequados. Também faz parte da atuação do profissional orientar o paciente sobre higiene bucal, prevenir infecções secundárias e acompanhar a cicatrização das lesões”, reforça Dr. Narciso.

