No dia 5 de agosto, comemora-se o Dia Nacional da Saúde, uma data dedicada à conscientização sobre a importância da prevenção e do cuidado integral com o corpo humano. Nesse contexto, o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) reforça uma premissa inegociável: a boca não é um sistema isolado. A saúde sistêmica de um indivíduo está diretamente ligada à sua saúde bucal.
A perda de dentes, muitas vezes vista apenas pelo prisma estético, desencadeia uma série de prejuízos físicos e emocionais. Para discutir como a Odontologia atua na linha de frente para devolver a dignidade e a saúde funcional aos pacientes, reunimos a visão técnica e estratégica de três presidentes de Câmaras Técnicas (CTs) do Conselho.
O desafio epidemiológico e nutricional
Historicamente, o Brasil enfrenta altos índices de edentulismo (perda total ou parcial dos dentes). Essa condição impacta toda a cadeia digestiva, que começa na boca, e afeta a nutrição adequada da população.
O presidente da CT de Saúde Coletiva, Dr. Paulo Frazão, destaca a urgência desse cenário na saúde pública:
“A Pesquisa Nacional de Saúde mais recente mostrou que 90% dos brasileiros adultos passaram por alguma perda ou extração de dente permanente e cerca de 14 milhões perderam todos os dentes da arcada. […] A ausência prolongada de dentes prejudica a função mastigatória. Com isso, restringe a escolha dos alimentos e acaba afetando o estado nutricional das pessoas. Além disso, a perda dentária impacta negativamente na qualidade de vida relacionada às atividades de falar, sorrir, dormir e manter contato com outras pessoas.”
A reabilitação começa pela saúde sistêmica
A devolução dessa qualidade de vida por meio de próteses exige um planejamento clínico criterioso. O cirurgião-dentista precisa avaliar o paciente como um todo antes de iniciar o tratamento, pois a boca reflete as condições gerais do organismo.
O presidente da CT de Prótese Dentária, Dr. Fernando Igai, reforça que a pressa é inimiga de um tratamento duradouro e seguro:
“Uma boa reabilitação protética passa por esses pilares: boa saúde dentária, boa saúde muscular e articular e boa saúde sistêmica. Vale ressaltar que a reabilitação protética não é um tratamento rápido, pois, como o nome do tratamento diz, o paciente vai passar por uma reabilitação, na qual o profissional deverá restabelecer, a partir das próteses a serem confeccionadas, uma oclusão correta e funcional, obedecendo à fisiologia do organismo do paciente.”
A inovação nos laboratórios a favor do paciente Para que o planejamento do cirurgião-dentista ganhe forma com excelência, o papel da equipe auxiliar é determinante. A reabilitação oral moderna apoia-se em fluxos digitais e biomateriais de alta precisão que garantem próteses mais seguras e confortáveis.
A presidente da CT de Técnicos e Auxiliares em Prótese Dentária, Silvia Loge Sorroche Berlinck, destaca o protagonismo dessa categoria na transformação tecnológica da saúde:
“O Técnico em Prótese Dentária deixa de ser apenas o executor da prótese e consolida seu papel como protagonista da inovação na reabilitação oral. A combinação entre conhecimento científico, tecnologias digitais, biomateriais de alto desempenho e trabalho interdisciplinar contribui diretamente para a entrega de próteses mais seguras, biocompatíveis, precisas e personalizadas, elevando a qualidade do tratamento, a satisfação dos pacientes e a excelência da Odontologia”.
Neste Dia Nacional da Saúde, o CROSP lembra que cuidar da saúde bucal é um ato de preservação da saúde global. A Odontologia brasileira, por meio de seus profissionais e avanços técnicos, continua sendo essencial para garantir que a população viva com mais saúde, nutrição e bem-estar.

