Uma pesquisa publicada na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics analisou os impactos dos cânceres associados ao HPV (Papilomavírus Humano) para a saúde pública brasileira entre 2011 e 2019. Segundo o estudo, essas doenças foram responsáveis por cerca de 29.155 hospitalizações e 7.526 óbitos em pessoas de ambos os sexos no per
Impactos
Dados apresentados em nota técnica publicada pelo Ministério da Saúde, em março de 2026, apontam que, no Brasil, o câncer do colo do útero é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre as mulheres e a quarta principal causa de morte por câncer na população feminina. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são registrados cerca de 17 mil novos casos e aproximadamente 7 mil óbitos por ano.
O membro da Câmara Técnica de Estomatologia do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Dr. Celso Augusto Lemos Júnior, explica que o HPV é um vírus transmitido principalmente pelo contato sexual e é considerado a infecção sexualmente transmissível mais comum do mundo. Isso significa que a maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com o vírus em algum momento da vida.
Segundo o especialista, existem diversos tipos de HPV. Enquanto alguns são inofensivos e costumam desaparecer espontaneamente, sem causar sintomas, outros são classificados como de alto risco e podem provocar alterações celulares que, ao longo do tempo, evoluem para diferentes tipos de câncer.
“O tipo mais preocupante dessa categoria é o HPV-16. Esses tipos de alto risco estão associados ao desenvolvimento de cânceres em diversas partes do corpo, como o colo do útero (a região entre o útero e a vagina), o ânus, o pênis, a vulva e a vagina”, alerta o cirurgião-dentista.
Prevenção
Dr. Celso Lemos destaca que esses cânceres podem ser prevenidos por meio do uso de preservativos e, principalmente, da vacinação contra o HPV. No Brasil, a vacina é recomendada para meninas e meninos de 9 a 14 anos e integra o Calendário Nacional de Vacinação. Desde 2024, o país adotou o esquema de dose única para essa faixa etária, substituindo o modelo anterior de duas doses.
A vacina também é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para grupos prioritários de 9 a 45 anos, incluindo pessoas imunodeprimidas, transplantados, pacientes oncológicos, vítimas de violência sexual e outros públicos definidos pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Para pessoas imunodeprimidas, o esquema vacinal continua sendo composto por três doses.
O especialista ressalta ainda que o câncer de orofaringe associado ao HPV tem apresentado crescimento em diversos países nas últimas décadas. Um aspecto que chama a atenção é o aumento da incidência entre homens mais jovens, muitas vezes sem histórico significativo de tabagismo ou consumo excessivo de álcool, fatores tradicionalmente associados a esse tipo de câncer.
Odontologia e o HPV
“Os profissionais da Odontologia devem ter papel ativo na prevenção, especialmente pela orientação sobre vacinação contra HPV como estratégia de prevenção primária, ajudando a esclarecer os benefícios que essas vacinas trazem à sociedade”, reforça o Dr. Celso.
O cirurgião-dentista finaliza destacando a importância da atuação multidisciplinar na prevenção e no combate ao HPV, envolvendo vacinação, diagnóstico precoce, educação em saúde, confirmação laboratorial e tratamento das lesões associadas ao vírus. Nesse contexto, o estomatologista desempenha papel fundamental na orientação dos pacientes, na identificação de alterações suspeitas na cavidade oral e na orofaringe e no encaminhamento adequado para avaliação especializada.
“Quando há câncer de orofaringe relacionado ao HPV, o cuidado exige integração entre estomatologistas, cirurgiões de cabeça e pescoço, oncologistas, radioterapeutas, patologistas, radiologistas, fonoaudiólogos, psicólogos e equipes de enfermagem. Essa atuação conjunta permite diagnóstico mais preciso, definição do status do HPV, planejamento terapêutico adequado e melhor acompanhamento funcional e oncológico do paciente”.
Fonte: https://crosp.org.br/noticia/casos-de-cancer-de-orofaringe-associados-ao-hpv-acendem-alerta/

