Odontogeriatria e retenção dentária: condutas clínicas para o atendimento do paciente idoso
O aumento da expectativa de vida e a mudança no perfil odontológico da população idosa exigem adaptações na rotina clínica dos cirurgiões-dentistas. Com a maior retenção de dentes naturais e o aumento de reabilitações complexas nessa fase da vida, o atendimento demanda protocolos específicos.
“O público de idosos mudou, com isso o odontogeriatra terá que se preparar para essa nova demanda. Nada adianta ter essas informações e não se capacitar para utilizá-las”, orienta a presidente da Câmara Técnica de Odontogeriatria do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Dra.Denise Tibério.
Avaliação salivar e polifarmácia
A anamnese do paciente idoso deve incluir a análise criteriosa da saliva, avaliando quantidade,qualidade e pH por meio de questionários e exames clínicos. Como exemplifica a Dra. Denise, “se o pH da saliva for ácido, há um aumento do risco de cárie, principalmente se o idoso tiver retração gengival”. A redução do fluxo salivar (hipossialia), que possui forte associação com os efeitos colaterais da polifarmácia, compromete a deglutição e aumenta significativamente o risco de disfagia. A orientação ao cirurgião-dentista inclui a prescrição de dentifrícios específicos para cada caso, além de terapias direcionadas à estimulação da produção salivar, que também são responsabilidade do profissional. Fatores associados, como diminuição do olfato e rinite alérgica, também devem ser mapeados durante a avaliação, pois esses fatores interferem na formação de saliva
Retenção dentária e limitações motoras
O paciente idoso atual apresenta, com frequência, grandes reabilitações, como próteses unitárias, próteses fixas e implantes. A prevenção e o controle do biofilme exigem um treinamento de higiene bucal direcionado e individualizado. A conduta clínica requer que o profissional auxilie o paciente na visualização da superfície dentária coberta por biofilme para adequar a escovação.
O cirurgião-dentista deve observar as limitações de mobilidade e a habilidade motora fina do paciente. Para idosos com quadros de reumatismo, faz-se necessária a adaptação do cabo da escova dentária para facilitar a empunhadura. Em casos de pacientes com idades mais avançadas ou com maiores restrições de movimento, a indicação de escovas elétricas apresenta benefícios clínicos.
Orientação a cuidadores e pacientes dependentes
Nos casos em que o idoso apresenta comprometimento motor ou cognitivo e perde a autonomia para o autocuidado, a abordagem clínica deve ser estendida aos responsáveis. “Treinar os cuidadores é primordial para os idosos dependentes. Porém, devemos pensar na abordagem desse público”, complementa a presidente da CT. O treinamento rigoroso, e contínuo garantindo a manutenção da higiene diária adequada, previne a instalação de focos infecciosos que possam agravar a saúde sistêmica do paciente.

