A cidade de São Paulo deu um passo histórico na formulação e no acompanhamento de suas políticas públicas de saúde com a criação da Comissão de Saúde Bucal no âmbito do Conselho Municipal de Saúde (CMS-SP). Inédita na estrutura do maior conselho municipal do país, a iniciativa consolida a odontologia como componente estratégico do Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o espaço técnico para o monitoramento de indicadores e a proposição de melhorias assistenciais.
A coordenação da nova instância é exercida pelo cirurgião-dentista Reinaldo Yoshino, diretor de Orientação Profissional do CROSP. A presença da autarquia no comando reforça o compromisso da atual gestão com um olhar 360º sobre a odontologia, passando de uma fiscalização tradicional para atuar ativamente na construção de soluções estruturantes para a saúde pública e na defesa de melhores condições de trabalho.
Diagnóstico de uma rede complexa
A atuação da Comissão ganha relevância diante da dimensão e dos contrastes da rede municipal. São Paulo conta hoje com uma estrutura robusta, composta por 446 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) com equipes de saúde bucal, 31 Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), dois Centros de Cuidados Odontológicos (CCOs) e seis Unidades Odontológicas Móveis (UOMs), além de atendimento em hospitais e unidades de urgência. Entre 2025 e o início de 2026, a rede registrou mais de 2,5 milhões de atendimentos na Atenção Básica.
Apesar dos grandes números, os indicadores analisados pela Comissão também expõem desafios históricos e profundas desigualdades territoriais. Atualmente, 36 UBSs ainda não possuem atendimento odontológico próprio, dependendo de referências externas. Há também demandas reprimidas expressivas em especialidades, como a fila de espera que ultrapassa 18 mil pacientes para próteses e cerca de 10 mil para cirurgias orais menores.
Foco no planejamento e controle social
Nas reuniões de alinhamento, a Comissão contou com a participação de referências acadêmicas e científicas nacionais, como a Profª Dra. Maria Ercília de Araújo (FOUSP) e o Prof. Dr. Paulo Frazão (FSP-USP). Os debates se concentraram na necessidade de um planejamento baseado em evidências, no fortalecimento da assistência especializada e na desburocratização do acesso, debatendo inclusive barreiras digitais no agendamento e a melhoria na qualidade dos materiais deDiante de uma cidade marcada por vulnerabilidades sociais periféricas, a Comissão assume o papel estratégico de promover uma análise territorializada dos dados para induzir políticas mais equitativas, garantindo o princípio da integralidade do cuidado no SUS.
Com a consolidação deste espaço, o CROSP passa a influenciar diretamente os rumos da saúde bucal no município, garantindo maior transparência e monitoramento contínuo da qualidade assistencial, beneficiando tanto a categoria profissional quanto a sociedade paulistana.
A relação de entidades habilitadas e não habilitadas para participar do Processo de Eleição/Indicação de Representantes para compor o Conselho Municipal de Saúde de São Paulo – Biênio 2026/2028, já foi publicada pela Secretaria Municipal de Saúde junto ao Conselho Municipal de Saúde, incluindo o Crosp entre as aprovadas.

